payday loans
EDIÇÃO DO HINO NACIONAL
 

 

Nova edição do Hino Nacional

 

Por ocasião do centenário da proclamação da República, o Teatro Nacional de São Carlos/OPART, E.P.E e a Direcção-Geral das Artes promoveram um projecto de edição da partituras e partes instrumentais e da gravação de A Portuguesa de Alfredo Keil, o Hino Nacional português.

A finalidade desta publicação foi fixar a norma do Hino enquanto símbolo nacional, tarefa de edição que ficou a cargo da Assembleia da República e da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República. Ao mesmo tempo, esta iniciativa pretende disponibilizar uma edição que possa substituir todas as variantes policopiadas do hino que circularam, até agora, por escolas, orquestras e bandas, sem qualquer regra.

 

O maestro e pianista João Paulo Santos, procedeu ao levantamento exaustivo das versões existentes do Hino Nacional e, assim, foram produzidos os seguintes materiais:

1) Partitura e partes para orquestra sinfónica;

2) Partitura e partes para orquestra clássica;

3) Redução para canto e piano (apenas em formato digital);

4) Partitura e partes para banda.

 

Ao mesmo tempo, foi fixado o registo áudio das seguintes versões:

a) Versão original de Alfredo Keil (com três estrofes) para documento histórico;

b) Versão original para piano só;

c) Versão original para coro e piano (uma estrofe);

d) Versão para orquestra sinfónica (Emissora Nacional), solo e coro (uma estrofe);

e) Versão para orquestra sinfónica só (Emissora Nacional) (uma estrofe);

f) Versão para banda.

Foram intérpretes da gravação: Elizabete Matos, soprano; João Paulo Santos, piano;  Orquestra Sinfónica Portuguesa e Coro do Teatro Nacional de São Carlos dirigidos por João Paulo Santos; Banda Sinfónica da Guarda Nacional Republicana dirigida por João Cerqueira.

 

Os conjuntos de partitura e partes instrumentais, acompanhadas pela referida gravação em CD, serão distribuídos às orquestras, às bandas filarmónicas, às escolas de música, universidades e demais institutos de ensino ligados à música, bem como às embaixadas de Portugal no estrangeiro, para que A Portuguesa, ao longo das Comemorações do Centenário da República e no futuro, possa ser interpretada de forma homogénea.

É graças à edição da partitura e partes da versão para banda, gentilmente disponibilizada pela Banda Sinfónica da Guarda Nacional Republicana, que no próximo dia 5 de Outubro, inúmeras bandas pelo país tocarão, em uníssono, A Portuguesa, durante a cerimónia oficial comemorativa do Centenário da Implantação da República.

Todas as publicações estão disponíveis para download aqui

 

Direcção-Geral das Artes

 

 

 

História da edição do Hino Nacional

 

A primeira partitura que se conhece de A Portuguesa de Alfredo Keil é o esboço que se encontra reproduzido na História de Barcelos, enquanto no Museu da Música, em Lisboa, encontra-se todo o material de orquestra, banda, fanfarra, coro e redução de canto e piano, daquilo que se pode chamar a “versão original”. Esta foi incluída no “Grande Concerto Patriótico” realizado no Teatro S. Carlos, a 29 de Março de 1890 (solo cantado pela Tetrazzini), para Soprano Solo, Coro, Orquestra, Banda e Fanfarra. Este tipo de efectivo orquestral é comum em muitas óperas da segunda metade do século XIX e encontra-se na tonalidade de Sol maior o que lhe confere também um grande carácter operático.

Cronologicamente, e muitas decerto depois da morte de Keil, seguem-se-lhe variadas versões editadas (Neuparth, Sassetti, Casa da Imprensa) em arranjos diversos como, por exemplo: piano só, piano e canto, canto só, grande orquestra, pequena orquestra, charanga, sol e dó, estudantina, guitarra só, assim como em tonalidades mais graves (Fá para as orquestrais, Mi bem para as que prevêem canto). Destas encontram-se exemplares na Biblioteca Nacional e no Museu da Música.

Em 1957 é criada uma comissão para rever o hino, liderada por Mário Sampayo Ribeiro, que considera a melodia demasiado aguda e exigindo grande amplitude de tessitura. Por isso esta é transposta para Dó maior e são-lhe feitas algumas modificações que pretendem torná-la mais acessível.

É sobre esta forma que A Portuguesa é publicada no Diário do Governo, I série, de 4 de Setembro de 1957, sem acompanhamento, nem indicações dinâmicas. Existe uma edição desta versão com acompanhamento de piano a qual foi gravada para o CD que acompanha as edições feitas no âmbito das comemorações do centenário da República.

Da mesma época existem algumas versões obviamente realizadas com o sentido prático de possibilitar aos agrupamentos sinfónicos do Estado (Emissora Nacional) e bandas a execução do Hino. Das três versões existentes (banda, grande orquestra e orquestra clássica) só esta última verdadeiramente menciona o autor da orquestração – Frederico de Freitas.

Estas partituras e materiais encontram-se nos arquivos da RDP, no arquivo do Teatro Nacional de S. Carlos e no da Banda Sinfónica da Guarda Nacional Republicana e foram estas as restantes versões gravadas no referido CD.

Por fim, em 1977, é solicitado a Joly Braga Santos novo trabalho sobre o hino. Dele nascem uma orquestração em Dó maior para orquestra de cordas com oboés e trompas ad libitum, a formação da Orquestra Gulbenkian nessa altura, e uma versão de concerto para coro e grande orquestra que transforma o Hino numa peça coral-sinfónica passível de figurar num concerto à semelhança do que Berlioz realizou para a Marselhesa ou Britten para o God Save the Queen. Esta versão foi gravada na altura pelo Coro e Orquestra Gulbenkian.

 

João Paulo Santos

Alfredo_Keil_LopesMendonca_
 
Extensions by Siteground Web Hosting